quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

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Vais e lembra de fechar a porta. Não, desta vez não irei implorar para que fique e me aqueça em noites fogosas. Decidiste ir, então vais! Mesmo antes do princípio, sempre fui de me render aos encantos da minha sinceridade para comigo mesma e não abdicarei de minhas crenças para segurar o ar dentro de meus pulmões.
Quer me amar? Permito e prometo reciprocidade.
Quer me arrancar sorrisos? Me olhe!
Quer me fazer bem? Fica.
Quer que eu sinta menos? Ah, então vais!

Errar é desumano.

Dei por mim em um cafofo macio, estofado e cheirando a lavanda. Não vi sua cor, tampouco se era belo, mas senti. Senti um aconchego imenso, um desejo de me bordar àquele tecido macio, que não tinha vida própria, mas me passava uma calma indescritível. Senti que ainda iria sentir aquele perfume uma par de vezes, perfumando até mesmo um quarteirão inteiro.
Aquele cafofo meio tropeço e desconcertado, parecia o lugar perfeito para passar o resto da minha vida. Mas apenas parecia. Quando dei por mim pela segunda vez, apenas me vi dentro do abismo.
Equivoquei-me!
Confundi o fundo do poço com refúgio.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Tudo mudou...

O rouge virou blush. O pó-de-arroz virou pó-compacto. O brilho virou gloss. O rímel virou máscara incolor. A Lycra virou stretch. Anabela virou plataforma. O corpete virou porta-seios. Que virou sutiã. Que virou silicone. A peruca virou aplique… interlace… megahair… alongamento. A escova virou chapinha. ‘Problemas de moça’ viraram TPM. Confete virou MMs. A crise de nervos virou estresse. A purpurina virou gliter. A tanga virou fio dental. E o fio dental virou anti-séptico bucal. Ninguém mais vê: O à-la-carte porque virou self-service. A tristeza agora é depressão. O espaguete virou miojo pronto. A paquera virou pegação. A gafieira virou dança de salão. O que era praça virou shopping. A areia virou ringue. O LP virou CD. A fita de vídeo é DVD. O CD já é MP3. É um filho onde eram seis. O álbum de fotos agora é mostrado por e-mail. O namoro agora é virtual. A cantada virou torpedo. E do ‘não’ não se tem medo. O break virou street. O samba, pagode. O carnaval de rua virou Sapucaí. O folclore brasileiro, halloween. O piano agora é teclado, também. O forró de sanfona ficou eletrônico. Fortificante não é mais Biotônico. Polícia e ladrão virou Counter Strike. Fauna e flora a desaparecer. Lobato virou Paulo Coelho. Caetano virou um pentelho. Elis ressuscitou em Maria Rita. Raul e Renato. Cássia e Cazuza. Lennon e Elvis. A AIDS virou gripe. A bala antes encontrada agora é perdida. A violência está maldita. A maconha é calmante. O professor é agora o facilitador. As lições já não importam mais. A guerra superou a paz. E a sociedade ficou incapaz. De tudo. Inclusive de notar essas diferenças. (Luís Fernando Verissímo)