quarta-feira, 5 de junho de 2013

Sem (com)paixão.

O mundo é um lixo
E eu sou recicle
Egoísta, fútil e meia-boca.


Vivo a dançar para as lindezas desse viver
Falho, mas vivo…
E assim teço minha teia de ilusões.


Desejo profundo
De um mundo belo, pleno,
Que só tem lugar para igualdade e compaixão.


Empatia é egoísmo
Sentes na pele
Pois se coloca no lugar d’alguém sofrido.

Não sentes muito por alma triste e mal tratada
Choras, pois poderia ser você.

Prece Perdida


sentir
qualquer coisa miúda
ou dolorida
que não me obrigue a ficar
ou voar

ser
qualquer coisa bonita
ou sem vida
que não precise de mares
ou saída.

Luz

Concedo castelos e boleros
Em nome do afeto d’alguém
Que não é, sequer, Eros.

Embaço a vista
Dou espaço a coração lacrimoso
Tens todas as pistas
E um folgar desejoso.

Ao fim do furacão
Voo preciso alçar
Eu e a solidão
Lindas, cheias de amor, a dançar.

As nuvens me atraem bem mais que o chão
Prefiro esconder minha cabeça lá em cima
E cuidar bem do meu coração.

Imperfeição
Nada é mais belo
Imperfeito
Vem, por ti espero.

domingo, 14 de abril de 2013

Blue


"Imensurável ingratidão.
Envolta de regozijo tão iluminado
E deixas lágrimas transbordarem
De teu peito alado.

De que adianta
Ter sorriso bordado nos lábios,
Se tuas veias pulsam por mais sangue
E teu peito está aos prantos?

Guardas ódios e amores
Um deles transborda, vez ou outra.
Não tens tempo para peripécias ou temores.
Preferes voar, e solta." 



·         P.S.: Solta não é o mesmo que sozinha.

domingo, 10 de junho de 2012


Não passa de saudade.


Cigarros 
Queimam saudades
Queimam vaidades
Só não queimam você.
Escuro
Feito para te iluminar
Feito para me iluminar
Mas você não me vê.

Melodias
Tocadas em violões
Ou em salões
Só não tocam você.
Aurora
Exibindo cores
Exalando rumores
Não me amanhecem em você.
Agonia
Minha ou não
A causa não tem visão
E você não me vê.

Vulto

Na leveza do abrir de olhos pesados há alguma inconstância precipitada, há algo que de tão rápido surgimento, acaba se tornando apenas pressa mal interpretada. Ora pressa de ficar, ora de ir. No aflito desejo de descobrir o que os olhos fitam rápido demais para a consciência interpretar, num jogo apressado sobre erro ou acerto, brota a hipótese quase sempre falha. Falha o meio, falham os fins. E agonia maior é demorar tempo demais para perceber que a impressão que teve de rápida visão, não é aquilo que se pensava. É aceitável um erro passageiro por falta de consciência, mas uma existência errônea é no mínimo desesperadora. Se inventar de rápidos espasmos de imagens distorcidas numa mente pouco sabida, só trará desagrado. O engano é inevitável, todavia menos doloroso, quando não dura tempo suficiente para virar parte da gente.